Síndromes psiquiátricas raras

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Síndromes psiquiátricas raras

Existem algumas síndromes psiquiátricas interessantes e curiosas!

No texto abaixo, falarei sobre essa intrigante e misteriosa interação humana: a  mente. Essa caixa de Pandora tem sido intensamente estudada e  inúmeras descobertas têm sido feitas. Dessa forma, uma das grandes curiosidades da Psiquiatria e o estudo da mente são as síndromes raras.

O mais importante, essas síndromes misteriosas apresentam-se cada vez mais incomuns. Isso, porém, pelo fato de que a psiquiatria tem se aprimorado nos últimos 30 anos e devido à introdução de novos tratamentos. Estagnando, assim, a evolução de doenças com sintomas mais expressivos, como os que serão aqui descritos.

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Síndrome de Diógenes

Nesta síndrome, primeiramente, ocorrem alterações comportamentais nas quais o indivíduo passa a não conseguir descartar objetos (próprios e / ou de outras pessoas). Há, dessa forma, um acúmulo de objetos e a perda do senso crítico que tais objetos são desnecessários ou inapropriados.  Ou seja, não precisam ser mantidos. Acabam, assim, acumulando os mais variados tipos de coisas, desde roupas, livros, sapatos, até restos de comida ou outras coisas consideradas totalmente desnecessárias. Pode tornar as proximidades de onde mora um problema de saúde pública.

Não são meramente classificados como um “colecionismo”.

Não é incomum a descrição, pelos familiares e amigos, de que a residência possou a se tornar desconfortável, pois pode ocorrer a perda de um ou mais cômodos para acomodar os objetos. O extremo é a casa se tornar inabitável. Frequentemente, esta síndrome, inicia-se de maneira simultânea com outros problemas psiquiátricos (geralmente TOC – transtorno obsessivo compulsivo) e /ou desencadeadas por conflitos emocionais e psicológicos.

Síndrome de Estocolmo

Descrita pela primeira vez em 1973. Esta síndrome acomete pessoas dentro de um contexto de opressão como violência doméstica ou até casos de sequestro. É o produto de um tipo de estado em que a pessoa não tem uma percepção real da violência que possa estar sofrendo.

A vítima, devido ao extremo do medo, nega a parte violenta do agressor, criando um vínculo com o lado que percebe ser  “positivo” deste.

Um exemplo seria o da mulher que é agredida pelo marido e passa a senti-lo como um “cuidador” quando ele a poupa de alguma agressão, que corriqueiramente sofre.

A síndrome de Estocolmo é caracterizada pela ausência da possibilidade de escapar, no entendimento da vítima e a convicção de que o captor pode levar a ameaça a termo. O paciente passa a supervalorizar pequenas gentilezas do agressor. Vivendo em um contexto de terror, mesmo que essa gentileza seja não mata-lo(a) ou a súbita ausência de violência.

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Síndrome de Clérambault (erotomania)

Nesta síndrome o paciente apresenta uma convicção delirante de que é amado por alguém geralmente de posição social e financeira mais elevada. O indivíduo persegue o objeto de amor, e geralmente declara “evidências de amor correspondido” e pode vir a se envolver em retaliações e ameaças em resposta às repetidas rejeições. Normalmente, os casos não envolvem qualquer agressão física ou verbal.

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Síndrome Capgras

A pessoa  tem a convicção que seus familiares foram substituídos por sósias ( falsos cópias, impostores), não os reconhece, passando por eles como se não fossem realmente filhos, maridos ou parentes, por exemplo – são para ele falsificações quase perfeitas.

Há teorias sobre esse quadro. Uma delas é a de que ocorrerem modificações em áreas cerebrais que reconhecem as faces e rostos e associa eles a sentimentos que fazem os seres humanos criarem relações entre si. Tal correspondência é perdida nesses pacientes.

Trata-se de uma situação muito impactante para a família, pois o paciente acha que eles querem “aparentar serem quem não são”. E o paciente repele seus familiares de forma delirante (tratando-se de uma alteração do pensamento).

Existem casos também chamados de Síndrome de Capgras ao inverso. Ocorrem quando o sujeito acredita que houve transformação em si mesmo e que ele é um impostor, ou como se um ser passasse a habitar seu corpo. Algo muito raro em quadros de psicose.

Síndrome de Cotard

Esta síndrome foi descrita pela primeira vez pelo neurologista Julis Cotard em 1880 e ocorre em quadros depressivos ou de psicose. Neles, o indivíduo sente que ocorrem transformações em seus órgãos ou partes internas do corpo ( sangue, corpo, membros, alma).

O paciente descreve-se da seguinte forma:  “meu intestino está apodrecendo”, “estou sem sangue em minhas veias”, “meu cérebro encolheu” ou “tiraram meus ossos”. Pacientes depressivos podem descrever o “sangue ralo” ou “esperma aguado” e até “estarem mortos” (Dalgallarrondo, 2 edição).

Veja o vídeo explicativo sobre depressão:

Síndrome de Frégoli (síndrome do falso reconhecimento)

É o oposto da Síndrome de Capgras; o indivíduo aponta para pessoas desconhecidas como se possuísse intimidade, identificando-as como se fossem do seu convívio pessoal.

Um caso que tive, em regime hospitalar, quando era residente, foi o de um jovem que me chamava, assim como referia-se aos outros funcionários, como “primos”, tendo a percepção real deste fato. Chamava-me, inclusive, pelo nome que acreditava ser.

Há casos chamados de Fregoli invertido na qual o indivíduo tem a sensação que está ocorrendo uma mudança importante em sua aparência e em seu corpo, mas sem alterações concomitantes do seu psiquismo ou em sua mente. Ou seja, manteria sua identidade mental, mas não mais física.

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Síndrome de Ekbom

São alucinações que o indivíduo sente que animais ou insetos transpassam por seu corpo o infestando. Ocorrem em quadros de abstinência alcoólica, cocaína e decorrentes de outros quadros tóxicos, além de pacientes esquizofrênicos.

Síndrome de Charles Bonnet

Acomete indivíduos que estão apresentando perda visual importante ou com cegueira, nas quais passam a apresentar um tipo raro de alucinação – liliputiana (como no filme “Viagem de Gulliver”). Nela a pessoa observa indivíduos pequenos, minúsculos em sua volta ou por entre os objetos de sua casa. Podem ocorrer em estados de fadiga extrema, intensa emoção, psicoses por drogas ou decorrentes de quadros psiquiátricos ou clínicos.

Presenciei um caso da Síndrome de Charles Bonnet, no qual uma senhora idosa, com catarata avançada ( perda visual grave), passou a enxergar pequenos indivíduos a perseguindo. Neste caso, ela possuía, inclusive, a percepção (insight) de que tal fato seria incompatível com a realidade. Porém, a continuidade do processo, até a busca da consulta, a manteve intensamente ansiosa.

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Síndrome de Korsakoff

Indivíduo passa a colocar memórias falsas no lugar das verdadeiras (chamamos de confabulações), citando-as com se fossem reais. Ocorrem em alcoólatras de longa data ou por déficit de vitaminas (geralmente B1).

Ao ser questionado sobre um assunto X, o paciente responde detalhes incongruentes e destoantes daqueles informados pela família.

Em um caso, durante a minha formação médica, atendi um casal, que o marido possuía a Síndrome de Korsakoff. Ele se expressava com destreza e naturalidade a tudo que lhe era questionado, prévio a data da consulta. Atrás dele, sua mulher balançava a cabeça gesticulando negativamente. Ela expressava que os alimentos que ele descrevera no almoço do dia anterior eram incongruentes com o que ela havia cozinhado.

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Síndrome de Munchausen

Também chamado de transtorno factício ou conversivo, no qual o indivíduo provoca uma doença ( dor abdominal inespecífica, alterações inexplicáveis na pele ou até autoinfligidas, simulação de convulsão, etc), normalmente sem a intensão ou consciência plena dos seus atos.

A motivação maior é manter-se em posição de enfermo, doente, para obter ganhos secundários de atenção, vínculo e carinho dos entes queridos ou pessoas próximas afetivamente. Nesses casos, a pessoa não tem consciência de seus atos, apenas os replica.

Um exemplo de Síndrome de Munchausen, que acompanhei em ambulatório, foi a perda dos movimentos dos membros inferiores (das pernas) de um paciente após receber a notícia de que sua esposa pediu a separação.

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Síndrome de Koro (retração genital)

Nesta síndrome o indivíduo possui a sensação e medo muito intenso de ter os órgãos genitais encolhidos ou até mesmo removidos.

Ela é descrita mais comumente, em países asiáticos. Acredita-se que tal fato seja reflexo da pressões socioculturais sofridas, que impõe tamanhos ideais para os órgãos genitais.

Estipula-se que a síndrome tenha como referência a “cabeça de uma tartaruga”. Associada ao ato de se “esconder” para dentro do casco. Considerando que a síndrome do Koro é a crença de que os órgãos genitais – geralmente o pênis, mas, no caso das mulheres, os seios – estão recuando para dentro do corpo, a analogia é válida.

Referências (adaptadas):

1- Manual de psicopatologia – Elie Cheniaux 5 edição

2- Psicopatologia e semiologia dos Transtornos Mentais – Paulo Dalgalarrondo – 2 edição

3- Compêndio de Psiquiatria – Kaplan & Sadock – 11 edição

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Posted on 12 de dezembro de 2016 in Ansiedade, Depressão, Transtorno bipolar

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