Depressão, Libido e Antidepressivos: o que Fazer quando o Remédio Afeta a Vida Sexual

Um dilema frequente: a depressão derruba a libido, mas parte dos antidepressivos também pode causar disfunção sexual — redução do desejo, dificuldade de excitação ou orgasmo retardado. Falar sobre isso não deve ser tabu: é parte essencial do tratamento.
O que os números dizem
Estudos indicam que entre 30% e 60% dos pacientes em uso de ISRS (inibidores seletivos de recaptação de serotonina) relatam algum grau de efeito sexual. O impacto varia muito de pessoa para pessoa — e entre medicamentos da mesma classe.
O que NÃO fazer
Não interrompa a medicação por conta própria. A suspensão abrupta pode causar síndrome de descontinuação (tontura, náusea, agitação) e, pior, recaída da depressão — que também afeta a vida sexual. O problema é resolvível dentro do tratamento.
As alternativas que o psiquiatra tem
- Ajuste de dose: às vezes o efeito sexual é dose-dependente.
- Troca de medicamento: algumas moléculas (como a bupropiona) têm perfil sexual neutro ou até favorável.
- Associações estratégicas: em casos selecionados, combinações corrigem o efeito sem perder o ganho no humor.
- Reavaliação do quadro: é preciso separar o que é efeito do remédio do que é sintoma residual da própria depressão.
A regra é simples: quanto mais aberta a conversa, melhor o ajuste. Sua qualidade de vida — incluindo a vida sexual — é um objetivo legítimo do tratamento. Leia também como a depressão interfere no desejo sexual.
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PSIQUIATRA FLORIANÓPOLIS